11/11/2010

Vale um sorriso :) e um aceno...

E nos, raça humana, podemos ser por vezes muito maldosos e maliciosos, sem qualquer tipo de inocência nos nossos actos.
Não vou muitas vezes a Lisboa, moro nos arredores, mas sempre que me deslocava de carro, ao passar no Saldanha, lá estava aquela figura a acenar aos carros...ninguém faz isso, logo a primeira impressão, é: tratar-se de alguém que não está bem, ou que tem alguma problema, qual o objectivo, no meio da nossa correria, e do nosso stress, do nosso mau humor, porque é que alguém nos acenava e sorria, coitadinho…
Aquele gesto, o acenar aos carros e as pessoas, acredito que lhe valeu muitas injurias, ouvi histórias tristes… ao principio, eu própria olhei, para ele várias vezes, a pensei no porque daquilo, ouvi “n” histórias acerca dele, é isto, era aquilo… mas depois sempre que passava por lá, esperava receber um aceno era característico daquele lugar e sim, valia sempre um sorriso, já não importava a razão, era apenas giro… e se ele ali estava todos os dias durante anos, então era porque aquilo o fazia feliz… quem somos nós para julgar o que quer que seja ou quem quer seja??!!
Hoje ao ver as notícias li que o “senhor do adeus” tinha falecido… e ao entrar na notícia, curiosa por saber mais um pouco, fiquei comovida com o que li… li um bocadinho da história de uma pessoa culta, a sério que fiquei sensibilizada, fazemos tantas vezes juízos de valores completamente errados, João Serra, sabia o que estava a fazer, e estava ciente de tudo, e apesar de ser alvo de chacotas algumas vezes, ele acreditava que estava ali, porque ao acenar às pessoas, acreditava que dessa forma estas teriam uma vida mais feliz. E Quando este aceno que era devolvido, tornava também alegre a sua vida, permitindo-lhe “afastar a solidão”, fico feliz, por ter passado no Saldanha e ter recebido uns acenos e ter acenado também…
Às vezes os loucos, não são os outros, somos nós mesmos… não devemos julgar alguém que nós faça sorrir, ainda há quem acredite na bondade, na alegria e na felicidade, ainda há que goste de dar e receber algo que não seja materialista, mas que alegre, e faça sorrir, e afaste um pouco a escuridão que por vezes nos assombra, principalmente a solidão…
Lisboa ficou mais pobre ou menos alegre… com os dias que correm que nos fazem esquecer de rir e sorrir, é bom ter quem nós lembre disso…

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